quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Sem coveiro nem espaço para mais sepultamentos, cemitério do RN tem até ossada desenterrada

Caixão deixado ao lado do muro do cemitério de Punaú, em Rio do Fogo, RN (Foto: Marksuel Figueredo/Inter TV Cabugi)

Um caixão aberto e até ossada humana compõem o cenário de terror no cemitério de Punaú – distrito do município de Rio do Fogo, no litoral Norte potiguar. Os moradores da comunidade encontraram a situação assim no último dia 2 de novembro, Dia de Finados, quando foram visitar os túmulos de familiares e amigos. O cemitério não tem coveiro e está superlotado.

Além do caixão encontrado na parte de trás do cemitério, foram encontrados outros pedaços de madeira nos muros laterais. O agricultor João Maria Dias, que é quem ajuda as famílias a abrirem os túmulos para enterrar as pessoas que morrem em Punaú, diz que não sabe quem fez isso e que a situação está insustentável. “Não tem mais nem espaço pra enterrar uma criança, um anjo", diz.

A solução encontrada pela população, de acordo com ele, é enterrar os mortos em covas que já tinham sido usadas. Após o enterro, as ossadas anteriores são colocadas sob o caixão. Há três meses, o filho e o irmão de Ivoneide da Silva, dona de casa, foram assassinados. Além da dor da perda, a mulher se sentiu humilhada por ter que enterrar os dois entes queridos no mesmo local: um espaço encontrado entre covas no cemitério.

Um osso humano foi encontrado em cima do túmulo da avó da agricultora Joseana de Carvalho, que ficou revoltada com a situação. “A gente se sente mal, em saber que não existe zelo nenhum”, comenta.

O morador João Maria Gonzaga da Silva diz que sua família tem um túmulo, mas que é insuficiente, já que são 80 integrantes. Se dois familiares falecerem, considera, não há espaço para ambos. Ainda de acordo com ele, quando o cemitério foi construído, na década de 1970, havia 49 famílias na comunidade. Atualmente, Punaú conta com cerca de 5 mil habitantes e a mesma quantidade de covas do princípio. A Prefeitura de Rio do Fogo, no entanto, não sabe informar quantas covas havia no local quando o cemitério foi construído e nem quantas covas há atualmente.
Cemitério de Punaú, no interior do RN, não tem coveiro, nem espaço para sepultamento. Há reaproveitamento de covas (Foto: Marksuel Figueredo/Inter TV Cabugi)

Não bastasse a falta de espaço e de um coveiro, o cemitério tem sinais de abandono. O portão é fechado com um pedaço de ferro e ainda faltam iluminação pública e água. O prefeito de Rio do Fogo, Laerte Paiva, reconhece os problemas. Ele considera que a situação é antiga, com pelo menos sete anos, e que é difícil ampliar o cemitério porque ele foi construído em terras particulares. 

Ainda de acordo com o prefeito, as donas da área foram procuradas, mas se recusaram a vender ou doar as terras. Um inventário que está em andamento deverá resolver problemas burocráticos que envolvem o terreno. “Até o próximo ano deveremos conseguir ampliar o cemitério”, pontuou. 
Portão do cemitério é fechado com barra de ferro (Foto: Marksuel Figueredo/Inter TV Cabugi)

Segundo o município, os cargos de coveiro serão preenchidos no próximo concurso municipal, que não tem data para sair. A rede elétrica terá que ser estendida para poder atender ao cemitério. Quanto à falta de água, o prefeito disse que não existe. Porém a equipe da Inter TV Cabugi esteve no local e não encontrou o líquido na torneira. Confrontado com a informação, Laerte Paiva afirmou que faltava água no momento em que a reportagem esteve no local.

O que a funcionária pública Conceição Freitas pede é apenas respeito aos vivos e mortos. Ela queria um espaço para construir túmulo do próprio pai.

Fonte;g1rn
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