Cessar-fogo em vigor há um mês começou a mostrar sinais de fragilidade, com relatos de ataques de drones na região O presidente dos Estado...
Cessar-fogo em vigor há um mês começou a mostrar sinais de fragilidade, com relatos de ataques de drones na região
O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, classificou como “totalmente inaceitável” a resposta do
Irã à proposta de paz apresentada por Washington. A reação ocorreu no momento
em que o cessar-fogo em vigor há um mês começou a mostrar sinais de fragilidade,
com relatos de ataques de drones na região e declarações do primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu, afirmando que “a guerra não acabou”.
A contraproposta iraniana
foi enviada aos EUA por meio de mediadores do Paquistão. Segundo a agência
semioficial Tasnim, o texto elaborado por Teerã exigia a suspensão das sanções
americanas, o fim do bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz após um acordo
inicial e garantias imediatas de encerramento do conflito, além de proteção
contra futuros ataques ao território iraniano.
Na semana anterior, os
Estados Unidos haviam apresentado um plano de paz composto por 14 pontos,
segundo relatos. A proposta previa a reabertura do Estreito de Ormuz e
estabelecia bases para futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Entre os pontos discutidos
estavam uma possível moratória de até 20 anos no enriquecimento de urânio pelo
Irã, a transferência do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido para o
exterior — possivelmente para os EUA — e o desmonte das instalações nucleares
do país.
De acordo com o Wall Street
Journal, o Irã respondeu propondo uma moratória mais curta, a exportação de
apenas parte do urânio enriquecido e a diluição do restante, além de rejeitar o
desmantelamento das instalações nucleares.
Após tomar conhecimento da
resposta iraniana, Trump afirmou: “Acabei de ler a resposta dos chamados
representantes do Irã. Não gostei — é totalmente inaceitável.”
Mais cedo, em publicação na
rede Truth Social, o presidente americano acusou o Irã de “brincar com os
Estados Unidos e com o resto do mundo há 47 anos”, acrescentando que Teerã “não
vai mais rir”.
Trump também deveria
conversar no domingo com Netanyahu, que já havia indicado que o conflito
continuará enquanto o Irã mantiver estoques de urânio altamente enriquecido.
Em entrevista ao programa
“60 Minutes”, da CBS, Netanyahu afirmou que ainda há material nuclear que
precisa ser retirado do Irã e instalações que, segundo ele, devem ser
desmontadas.
Questionado sobre como o
urânio deveria ser removido, o premiê israelense respondeu: “Você entra e o
retira”, sugerindo que a melhor solução seria uma operação dentro do território
iraniano para garantir o controle do material nuclear. Segundo Netanyahu, Trump
teria demonstrado interesse nessa possibilidade.
Já em entrevista ao programa
“Full Measure”, Trump adotou um tom menos alarmista sobre o estoque de urânio
iraniano, afirmando que a vigilância por satélite seria suficiente para
monitorar a área.
“Temos vigilância. Eu criei
a Força Espacial, e eles estão monitorando isso. Se alguém se aproximar do
local, saberemos — e vamos explodi-los”, declarou.
O presidente americano
também voltou a afirmar que os ataques dos EUA ao Irã poderiam ser retomados.
Segundo ele, ainda existem alvos que poderiam ser atingidos caso necessário.
Trump enfrenta pressão
internacional para preservar o cessar-fogo e avançar em um acordo antes de sua
viagem programada à China nesta semana. Pequim tem defendido o fim das
hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Dois temas centrais nas
futuras negociações entre Washington e Teerã continuam sendo o destino dos
cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% mantidos pelo Irã — nível
próximo ao necessário para armamentos nucleares — e a suspensão definitiva do
enriquecimento.
Em entrevista à imprensa
estatal iraniana, um porta-voz militar afirmou que as forças armadas do país
estão em “prontidão total” para proteger o material nuclear.
“Consideramos possível que
tentem roubá-lo por meio de infiltrações ou operações aerotransportadas”,
declarou o brigadeiro-general Akrami Nia.
Relatos indicam que Trump
chegou a receber planos militares para apreender o estoque de urânio iraniano,
embora a operação exigisse grande mobilização de tropas e pudesse durar
semanas.
No sábado, o presidente
russo, Vladimir Putin, afirmou que a proposta da Rússia de receber urânio
enriquecido do Irã para facilitar um acordo diplomático continua disponível.
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