Lula anuncia implementação de supercomputador no PAX — Foto: Fernanda Zauli/g1 RN O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta ...
Lula anuncia implementação de supercomputador no PAX — Foto: Fernanda Zauli/g1 RN
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou
nesta quinta-feira (20), durante visita ao Parque Científico e Tecnológico
Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande Natal, a instalação de um supercomputador
no Rio Grande do Norte. O projeto prevê R$ 1,06 bilhão para aquisição
e operação de estrutura voltada ao modelo de alto desempenho e inteligência
artificial.
Lula afirmou que a escolha
do RN levou em conta a necessidade de distribuir investimentos para além das
regiões mais ricas do país. “São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu
decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que
mais necessitam", disse.
Após a agenda em Macaíba,
Lula seguiu para o estacionamento da Arena das Dunas, em Natal, onde participou
de um ato de campanha ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT), de
representantes da militância do partido e de candidatos aliados.
De acordo com a apresentação
feita durante o anúncio, R$ 960 milhões serão destinados à aquisição
do equipamento e outros R$ 100 milhões às etapas de preparação e
operação. Os recursos estão previstos no CT-Infra, instrumento de financiamento
de infraestrutura de pesquisa, e o projeto integra o Plano Brasileiro de Inteligência
Artificial (PBIA).
O supercomputador terá 7.200
petaflops de desempenho em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e
consumo elétrico estimado em 4 megawatts. A estrutura será instalada no PAX e
fará parte de um novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e
Inteligência Artificial.
🔎O supercomputador terá capacidade de
realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo. Para se ter uma ideia,
se 8 bilhões de pessoas fizessem um cálculo por segundo, seriam necessários
cerca de 29 anos para realizar o que supercomputador poderá processar em apenas
um segundo (veja explicação abaixo).
“O Rio Grande do Norte
apresentava as condições técnicas mais adequadas não só do ponto de vista da
localização, mas do ponto de vista, inclusive, de um insumo fundamental que é a
energia limpa em abundância que nós temos”, disse Bezerra.
Segundo a ministra da
Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, Luciana Santos, o equipamento será
utilizado por universidades, instituições de tecnologia, empresas e órgãos
públicos. Ela acrescenta que a compra do equipamento prevê normas para ampliar o
desenvolvimento no país.
“Não se trata só de adquirir
uma máquina. Há contrapartidas previstas que as empresas deverão cumprir,
benefícios estruturantes para o nosso país. É todo um ecossistema em torno
dessa máquina”, disse Luciana Santos.
Três rotas tecnológicas
O supercomputador do Rio
Grande do Norte é uma das três frentes apresentadas pelo governo federal para
ampliar a infraestrutura brasileira de supercomputação dentro do PBIA.
A primeira rota prevê a
aquisição do supercomputador para o RN. A segunda envolve uma cooperação
tecnológica com a China, com estrutura prevista para o Rio de Janeiro. A
terceira prevê o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta, em Campinas,
no estado de São Paulo.
De acordo com o governo
federal, as três iniciativas têm como objetivo reduzir a dependência brasileira
de capacidade computacional contratada no exterior e ampliar a infraestrutura
necessária para desenvolvimento e treinamento de modelos de inteligência
artificial.
O PBIA prevê R$ 23 bilhões
em investimentos entre 2024 e 2028, segundo os dados apresentados pelo governo.
O plano inclui ações de infraestrutura tecnológica, formação de profissionais,
pesquisa, inovação e aplicações de inteligência artificial.
Quem poderá usar
A nova infraestrutura deverá
atender diferentes setores. Entre os usuários previstos estão:
- Empresas e startups, para
desenvolvimento e treinamento de modelos próprios;
- Universidades e centros de pesquisa,
para projetos de inteligência artificial e ciência de dados;
- Instituições governamentais, em
aplicações nas áreas de saúde, agricultura, clima, indústria e serviços
públicos;
- Profissionais e estudantes, com
ampliação de oportunidades de formação em áreas de alta qualificação.
Por que o RN foi escolhido
A escolha do Rio Grande do
Norte é apresentada pelo governo como estratégica não apenas pela instalação
física do equipamento, mas também pelo potencial de impacto na ciência, na
economia e na matriz energética regional.
Na área científica, a
expectativa é ampliar a capacidade de pesquisa e formação em inteligência
artificial e computação de alto desempenho, inclusive por meio da integração
com universidades e centros de pesquisa do Nordeste.
Na economia, o governo
aponta a possibilidade de atração de pesquisadores, startups e empresas de
tecnologia para o estado e para a região.
Outro argumento está
relacionado à matriz energética. O Rio Grande do Norte tem forte participação
de fontes renováveis, principalmente eólica e solar. A apresentação do governo
relaciona essa característica à operação do supercomputador.
O que são 7.200 petaflops?
O supercomputador que será
instalado no Rio Grande do Norte terá capacidade de fazer até 7,2 quintilhões
de operações por segundo no formato FP16, utilizado em aplicações de
inteligência artificial.
Segundo Marcelo Fernandes,
diretor do Núcleo de Inteligência Artificial (Metrópole IA), do IMD/UFRN, se 8
bilhões de pessoas fizessem um cálculo por segundo, seriam necessários cerca de
29 anos para realizar a quantidade de operações que o supercomputador poderá
processar em apenas um segundo.
O equipamento terá ainda
mais de 50 mil núcleos de processamento, que poderão trabalhar simultaneamente
em diferentes partes de um mesmo problema.
"Imagine uma pessoa
realizando uma operação matemática por segundo, sem parar. Ela precisaria de
aproximadamente 228 bilhões de anos para executar a quantidade de cálculos que
o supercomputador poderá realizar em apenas um segundo", explica Fernandes.
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