sábado, 29 de fevereiro de 2020

CEARÁ PODERÁ RECEBER AJUDA DE GOVERNADORES COM PMs


Flavio Dino, governador do Maranhão
Os governadores de ao menos quatro estados já se organizam para enviar forças de segurança ao Ceará caso o presidente Jair Bolsonaro não renove o decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que possibilitou a presença do Exército e da Força Nacional no estado.

De acordo com o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), do Maranhão, os governadores do Rio de Janeiro, da Bahia, do Piauí e ele próprio acertaram o envio de tropas ao estado. "Há um movimento para cooperar", afirma ele.

Nesta quinta-feira (27), Bolsonaro sinalizou que pode não atender ao pedido do governador cearense, Camilo Santana (PT-CE), de que a operação seja renovada —a previsão inicial é que dure até esta sexta (28). "A GLO não é para ficar eternamente atendendo um ou mais governadores. GLO é uma questão emergencial", disse o presidente em live nas redes sociais.

A situação no Ceará é dramática. Desde o início do movimento dos policiais militares do estado, que é ilegal, os assassinatos explodiram: saltaram de 5, um dia antes do motim, para 37 no dia 21, auge da paralisação. Apenas nesta quinta, foram registradas 18 mortes.

Quartéis foram tomados e pneus de viaturas, esvaziados. No momento mais dramático, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado ao tentar derrubar com uma escavadeira a grade de um batalhão amotinado.

A presença das Forças Armadas e da Força Nacional deu fôlego para que o governo estadual começasse a negociar com os grevistas. A fala de Bolsonaro, no entanto, travou os diálogos. De acordo com um integrante da comissão de negociação, os policiais se sentiram fortalecidos e redobraram as exigências.

Dino afirma que Bolsonaro tem obrigação de renovar a GLO. "A Constituição diz que as polícias militares são auxiliares das Forças Armadas. Se elas falham, as Forças Armadas têm a obrigação de intervir. O presidente é obrigado a garantir a ordem pública. Ele não está fazendo nenhum favor", diz o governador.

Ele observa ainda que, além do Exército, também a Força Nacional faz parte da operação. "E ela é formada por policiais dos estados. O governo federal não tem um homem lá", diz ele, lembrando que o Ministério da Justiça tem o papel apenas de coordená-los.

"É um paradoxo, portanto, que na hora em que um estado precise, não possa contar com ela. O governo federal estará rompendo unilateralmente a cooperação que sustenta a própria Força Nacional", finaliza Dino.

Bolsonaro deve se reunir ainda nesta sexta com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, com o ministro Sergio Moro, da Justiça, com o general Luiz Ramos, da Secretaria-Geral, e com o general Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) para decidir se renova ou não a GLO. 

Mônica Bergamo/FolhaPressSNG


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