O atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte,
Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), foi denunciado ao Tribunal de Justiça
por corrupção passiva em face de ter supostamente recebido R$ 300 mil
do empresário George Olímpio para agilizar a tramitação do projeto de
lei da inspeção veicular ambiental no Rio Grande do Norte.
A denúncia foi revelada nesta sexta-feira (20) pelo Ministério
Público do Rio Grande do Norte, em coletiva convocada pelo chefe do
MPRN, Rinaldo Reis, e os promotores do Patrimônio Público que atuaram no
caso. O caso veio a público um dia após a reportagem do portalnoar.com
ter contatado o procurador-geral de Justiça questionando por que a peça,
que a reportagem apurou estar pronta, não tinha sido apresentada.
O documento foi protocolado no Tribunal de Justiça e distribuído à
relatoria do desembargador Vivaldo Pinheiro. O MP pede a condenação por
corrupção passiva do deputado e a perda do cargo, com a condenação.
Procurada, a assessoria de Ezequiel informou que prepara nota para
distribuir à imprensa.
Os elementos que lastreiam a denúncia não foram totalmente revelados
em função do sigilo de justiça. O juiz da 3ª Vara Criminal do Distrito
Judiciário da Zona Sul, Cleanto Pantaleão, retirou parte dos elementos
sigilosos, permitindo a revelação de alguns detalhes.
Pelo que foi exposto pelos membros do Ministério Público, Ezequiel
teria cobrado R$ 500 mil a George Olímpio, alegando que R$ 200 mil
seriam para o então presidente da Assembleia Legislativa, atual
governador Robinson Faria. Segundo os promotores, não há elementos que
comprovem a participação de Robinson, motivo pelo qual foi arquivado o
procedimento que apurou seu envolvimento.
Posteriormente, Ezequiel e George teriam acertado o valor de R$ 300
mil, pagos em duas parcelas. Na coletiva de imprensa, os promotores
revelarem que o pagamento foi em espécie, dentro da Assembleia
Legislativa, precisamente no gabinete do deputado. A primeira parcela
foi paga no dia em que o projeto de inspeção foi aprovado, em 2009. A
segunda foi quitada quando o edital da licitação foi lançado, em 2010.
Ao mesmo tempo, registra a denúncia, George se comprometeu em ajudar
financeiramente a campanha do deputado em 2010.
“A prova da autoria dos crimes de corrupção ora narrados está fundada
em diversos elementos de prova reunidos ao longo do presente
procedimento investigatório criminal, notadamente, diálogos captados em
interceptação telefônica, extratos bancários, depoimentos de agentes
colaboradores, dentre outros”, diz trecho da denúncia.
Em 17 de dezembro de 2009, no dia em que foi aprovada a lei, George
Olímpio foi à agência do Banco do Brasil de Ponta Negra e sacou R$ 120
mil. Já no dia 31 de março de 2010, novo saque no valor de R$ 150 mil
foi realizado. O montante, explicou George aos promotores, foi para
pagar Ezequiel. Não foi explicado como foi paga a diferença de R$ 30 mil
já que os valores discriminados somam R$ 270 mil. No entanto, George
revelou ainda que doou mais R$ 50 mil para a campanha de Ezequiel, o que
perfaz um valor global de R$ 320 mil em propina.
A quebra dos sigilos dos envolvidos revelou ainda que exatamente no
dia do segundo saque, o George Olímpio entrou em contato com Ezequiel.
Aos promotores, ele contou que foi para tratar do pagamento da propina.
Por fim, já em 2014, os dois voltaram a se comunicar para combinar meios
de lograr êxito sobre o trancamento da ação penal da Operação Sinal
Fechado no Superior Tribunal de Justiça, apesar de Ezequiel, à época dos
fatos, não ser formalmente acusado.
Antes disso, em 2012, o lobista Alcides Barbosa celebrou delação
premiada e contou que tinha sabido dentro da organização criminosa de
uma propina paga a Ezequiel Ferreira de Souza no valor de R$ 300 mil. À
época, ele revelou que o deputado entrou no caso através do
vice-governador Iberê Ferreira de Souza, que indicou o nome do deputado,
seu primo, para George Olímpio. Na delação ao MP, Olímpio confirmou
essas informações.
“Logo, do que se pode inferir dos inúmeros elementos de prova
produzidos ao longo do procedimento investigatório criminal nº 046/2012,
Ezequiel Ferreira de Souza solicitou e recebeu vantagem indevida para,
em razão da sua função pública, interceder junto aos demais deputados
estaduais em favor da aprovação célere do Projeto de Lei nº 213/09, que
dispunha sobre o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso no
Estado do Rio Grande do Norte”, conclui a denúncia.
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