quarta-feira, 9 de maio de 2018

Empresária confirma que recebeu da JBS pagamento por serviço prestado na campanha de Robinson Faria em 2014


Robinson Faria, governador do Rio Grande do Norte, negou que tenha recebido doações não declaradas na campanha de 2014 (Foto: Thyago Macedo/G1)

A empresária Eliane Alves Pereira confirmou à Polícia Federal que recebeu da empresa JBS o pagamento de serviços prestados na campanha de Robinson Faria ao Governado do Rio Grande do Norte em 2014. A empresária, dona da E. A. Pereira Comunicação Estratégica, entregou à PF uma nota fiscal no valor de R$ 2 milhões emitida para a JBS S/A.

Segundo ela, deste valor, R$ 1,2 milhão é referente ao trabalho de marketing direto na campanha política e o restante é referente a serviços prestados à marca Friboi, da JBS. O valor total foi pago em setembro de 2014 por meio de depósito na conta da empresária. O pagamento não consta na prestação de contas da campanha de Robinson Faria.

"Ela foi contratada para prestar um serviço de marketing e esse serviço foi efetivamente prestado. Se houve uma prestação tinha que haver o recebimento de valores. (...) Se houve um possível caixa 2 isso deve ser apurado pelo Poder Judiciário que é o juízo competente para apurar os fatos", disse o advogado da empresária, Marcelo Torres.

A informação confirma parte da delação premiada de Ricardo Saud, ex-diretor de relações institucionais da J&F, grupo controlador da JBS. O executivo afirmou que fez doações não declaradas à campanha de Robinson Faria através de pagamentos a empresas de terceiros, dentre elas a de Eliane.

Em nota, Robinson Faria afirma que não recebeu doações não declaradas para a sua campanha nas eleições de 2014 e que jamais solicitou qualquer doação ao delator Ricardo Saud que não fosse doação legal. "As doações solicitadas à JBS foram todas pedidas oficialmente, já que a JBS era a empresa indicada pelo partido PSD para fazer as doações para a campanha ao governo em 2014", diz a nota. O governador afirmou ainda que "as contas da campanha foram todas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral e que confia no trabalho da Justiça".

As declarações da empresária foram tomadas pela PF em março deste ano nas investigações complementares do inquérito 4618, no Supremo Tribunal Federal, para confirmar a delação de Saud. No último dia 26 de abril, Saud foi ouvido pela Polícia Federal, em Brasília, neste mesmo inquérito. Ao deixar a PF, Saud disse à imprensa que foi um 'depoimento do dia a dia da colaboração'.

Reunião em SP
A empresária relatou que foi contratada pela campanha de Robinson Faria e cobrou R$ 1,2 milhão para prestar o serviço de marketing direto no 1° turno da campanha. Segundo ela, o trabalho foi efetivamente realizado e envolveu entre 200 e 250 pessoas.

Ainda de acordo com Eliane Pereira, o serviço prestado à campanha envolvia estratégia de comunicação, geolocalização, "porta a porta" e mensuração de dados e relatórios de análise. O trabalho começou antes de qualquer assinatura de contrato e pagamento - o que seria praxe em campanhas políticas, segundo ela.

Conforme o depoimento, a empresária cobrou o valor da primeira parcela do pagamento, mas foi informada que a campanha estava sem dinheiro. Então foi informada que teria que ir para São Paulo para apresentar a importância do seu trabalho na campanha a um doador.

O doador em questão era o próprio Ricardo Saud e o encontro aconteceu na sede da JBS, em São Paulo. Eliane afirmou que foi levada à reunião pelo deputado federal Fábio Faria (PSD), filho de Robinson, que estava envolvido na campanha do pai.

Ao apresentar o trabalho desenvolvido na campanha, Eliane afirmou que foi elogiada por Saud e que ele quis que um serviço semelhante fosse feito para a marca Friboi, da JBS, em estados da região Nordeste. Neste mesmo dia, foi feito um contrato de R$ 2 milhões, que contemplava os dois trabalhos: a campanha política e o serviço contratado pela JBS. O contrato, porém, não citava a campanha. O pagamento foi feito em setembro de 2014.
 Eliane ainda disse que questionou a formatação do contrato e o fato de Ricardo Saud não assiná-lo. Ele, porém, teria dito que essa era a única forma do serviço ser pago. Como o trabalho já estava em andamento, ela disse que aceitou, pois seria "a única forma de cumprir com os compromissos financeiros" com a equipe e os fornecedores.


G1 procurou o deputado Fábio Faria, mas ele não se pronunciou até a última atualização desta matéria.

Delação
Em acordo de delação firmado com o Ministério Público Federal em 2017, o executivo da J&F (grupo que controla a JBS) Ricardo Saud afirmou que Fábio Faria e Robinson Faria receberam doações não declaradas à Justiça Eleitoral através de pagamentos a empresas de terceiros.

Acordo suspenso
O acordo de delação premiada de Ricardo Saud com o Ministério Público Federal foi rescindido pela Procuradoria Geral da República em setembro do ano passado por suposta omissão de informações nos depoimentos.
Como a rescisão depende de decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, o acordo está, na prática, suspenso.

A suspeita da PGR é que Saud e Joesley Batista, dono do grupo J&F, omitiram a informação de que foram orientados pelo procurador da República Marcelo Miller enquanto ele ainda atuava no Ministério Público. Saud, Joesley e Miller negam a acusação.
Empresária confirmou que se reuniu com Ricardo Saud, diretor da JBS, em São Paulo para tratar do pagamento do serviço prestado à camapnha de Robinson Faria em 2014 (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Fonte:g1rn
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